Lição 3

Como se demonstra a confiança na cadeia

Se o DID responde à pergunta “Quem sou eu?”, as Verifiable Credentials (VC) esclarecem “O que posso provar?” Nos sistemas de identidade descentralizada, a confiança já não depende de uma única plataforma ou base de dados; é estabelecida e transferida entre partes através de declarações verificáveis por métodos criptográficos. Esta lição oferece uma visão completa sobre o funcionamento das VC, os intervenientes e os mecanismos de proteção da privacidade, ajudando a compreender como se constrói e valida a confiança em cadeia.

Como funcionam as Credenciais Verificáveis

No seu núcleo, uma Credencial Verificável corresponde a uma declaração digital emitida por uma entidade de confiança, que qualquer pessoa pode verificar autonomamente. Ao contrário dos certificados em papel ou das bases de dados centralizadas, as VC dispensam consultas em tempo real à entidade emissora; a verificação da assinatura é suficiente para confirmar a autenticidade.

O fluxo típico de VC inclui as seguintes etapas:

  • Emissão: O emissor gera e assina uma credencial para o titular, com base em determinados factos ou qualificações.
  • Detenção: O titular armazena a credencial de forma independente, geralmente numa carteira de identidade.
  • Apresentação: Sempre que necessário, o titular apresenta a credencial — ou partes da mesma — a um verificador.
  • Verificação: O verificador confirma a validade da credencial através de assinaturas criptográficas e da resolução de DID.

Durante todo este processo, a blockchain não armazena o conteúdo das credenciais. Serve, antes, como ponto de confiança, permitindo verificar a identidade do emissor e garantindo que as credenciais não podem ser falsificadas. Este modelo, verificável offline, reduz substancialmente a dependência do sistema e os riscos para a privacidade.

Emissor, Titular e Verificador

O modelo de confiança das VC assenta em papéis claramente definidos para três intervenientes, cada um com responsabilidades distintas, sem qualquer controlo centralizado.

Distribuição dos papéis:

  • Emissor: Entidade que emite credenciais, normalmente uma instituição, plataforma ou organização com credibilidade pública.
  • Titular: Pessoa ou entidade que recebe e detém a credencial, mantendo total controlo sobre a mesma.
  • Verificador: Parte que valida a autenticidade da credencial em situações específicas.

A grande vantagem desta estrutura reside na confiança transferível. Após a emissão por um emissor de confiança, o titular pode reutilizar a credencial em diferentes contextos, sem ter de regressar à plataforma original para autenticação. Isto liberta a identidade e o crédito de ficarem dependentes de um único sistema. Além disso, como os verificadores apenas validam assinaturas e estado — sem armazenar dados — todo o sistema mantém elevada eficiência à medida que cresce.

Proteção de Privacidade e Divulgação Seletiva

Os sistemas de identidade convencionais exigem frequentemente que os utilizadores revelem demasiada informação pessoal para comprovar apenas um ponto. Uma das principais inovações das VC consiste em integrar a proteção da privacidade como elemento fundamental. Por via da divulgação seletiva e de provas de conhecimento zero, os titulares conseguem comprovar condições específicas sem expor detalhes desnecessários — por exemplo, comprovar que têm mais de 18 anos sem partilhar a data de nascimento completa.

Na prática, a proteção da privacidade manifesta-se de várias formas:

  • As credenciais são armazenadas localmente pelos utilizadores, prevenindo fugas de dados centralizados.
  • São divulgados apenas os campos necessários ao apresentar credenciais.
  • É assegurada a não rastreabilidade para impedir seguimento entre contextos.
  • Provas de conhecimento zero podem ser combinadas para reforçar a privacidade.

Este mecanismo garante que confiança e privacidade não entram em conflito, tornando os sistemas de identidade descentralizados especialmente adequados para setores sensíveis como finanças, saúde e educação.

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