
Um money transmitter é um prestador de serviços responsável por receber, enviar ou transferir fundos em nome dos usuários. Sob a ótica regulatória, money transmitters são classificados normalmente como “empresas de serviços monetários” (MSBs) e estão sujeitos a obrigações de compliance, como identificação de clientes, monitoramento de transações e manutenção de registros. Suas operações podem envolver tanto moedas fiduciárias quanto determinados ativos virtuais.
Dois cenários comuns se enquadram nessa definição: (1) quando uma plataforma mantém fundos dos usuários e realiza transferências em seu nome; (2) quando uma plataforma recebe fundos de uma parte e efetua pagamentos a outra. No universo cripto, carteiras custodiais e ramps fiat on/off que recebem e transferem fundos de usuários geralmente são consideradas money transmitters.
Muitas empresas cripto, por sua própria natureza, oferecem serviços que envolvem “receber, enviar ou transferir ativos em nome de usuários” — funções centrais de um money transmitter. Ao serem classificadas dessa forma, essas empresas devem atender a requisitos de KYC (Know Your Customer) e AML (Anti-Money Laundering); o descumprimento pode resultar em sanções e multas expressivas.
Por exemplo, em situações como o fiat on-ramp da Gate ou transferências peer-to-peer a partir de saldos de contas, se a plataforma mantém e transfere fundos dos usuários, é necessário avaliar se ela se enquadra como money transmitter e obter as licenças exigidas. Isso impacta diretamente o desenho do produto, a gestão de riscos e os custos de compliance.
A abordagem regulatória mais comum é verificar se a plataforma “recebe fundos e os transfere para terceiros” ou “recebe fundos em nome de uma parte e paga a outra”. Nos Estados Unidos, se uma plataforma lida com moeda virtual conversível (CVC — criptoativos que podem ser trocados por fiduciário ou outros ativos virtuais) e transfere esses ativos em nome dos usuários, normalmente ela é classificada como money transmitter.
Há uma diferença fundamental entre carteiras custodiais e não-custodiais: carteiras custodiais significam que a plataforma detém as chaves ou ativos dos usuários e realiza transferências; carteiras não-custodiais são ferramentas em que os próprios usuários controlam suas chaves e iniciam as transações on-chain. Em geral, provedores de software não-custodial não são considerados money transmitters, enquanto serviços custodiais tendem a se enquadrar nessa categoria.
Money transmitters devem implementar KYC (verificação de identidade semelhante à abertura de conta bancária) e AML (monitoramento e reporte de atividades suspeitas). Essas são obrigações essenciais de compliance que afetam a experiência do usuário e os fluxos do produto.
Além disso, a Travel Rule exige que, em transferências acima de determinados limites, as informações de identidade e conta do remetente e do destinatário acompanhem a transação. Para cumprir a Travel Rule em operações cripto, são adotadas soluções como triagem de endereços e compartilhamento seguro de informações, mitigando riscos de lavagem de dinheiro e sanções.
Nos EUA, money transmitters são classificados como uma categoria de MSB e devem se registrar junto ao FinCEN. Eles precisam estabelecer programas de AML, enviar relatórios de atividades suspeitas e manter registros adequados. A maioria dos estados também exige uma licença estadual específica de money transmitter, cada uma com escopo e requisitos próprios.
A Travel Rule se aplica a transferências de fundos nos EUA, normalmente a partir do valor de US$3.000 para transmissão de informações. Em 2019, o FinCEN determinou que empresas que lidam com CVC aberta devem seguir as normas de AML. Em 2024, a maioria dos estados já possui exigências de licenciamento ou requisitos explícitos para transmissão de ativos virtuais; as regras efetivas dependem das orientações oficiais mais recentes de cada estado.
Na União Europeia, transferências de fundos se enquadram no regime de serviços de pagamento (como o PSD2), enquanto regras unificadas para cripto estão sendo implementadas por meio do MiCA entre 2024-2025, estabelecendo padrões de licenciamento e compliance para “Provedores de Serviços de Criptoativos” (CASP). Em Singapura, o Payment Services Act (PSA) regula serviços de tokens de pagamento digital, exigindo licenças e rigoroso compliance de AML.
Hong Kong regula separadamente as stored value facilities (SVF) e as plataformas de negociação de ativos virtuais, cada uma com licenças específicas. O Japão possui estruturas próprias para empresas de transferência de fundos e exchanges de criptoativos. Embora a terminologia varie conforme a região, as regulações sobre “receber, enviar ou transferir fundos/ativos virtuais em nome dos usuários” estão se tornando cada vez mais rigorosas globalmente.
A principal diferença está na existência de custódia e transferência intermediada. Carteiras custodiais e saldos de contas em exchanges envolvem plataformas detendo ativos e realizando transferências em nome dos usuários — esses casos geralmente se enquadram na definição de money transmitter. Carteiras não-custodiais são apenas ferramentas: os usuários mantêm o controle de suas chaves privadas e assinam as transações, por isso, os provedores normalmente não são considerados money transmitters.
Na perspectiva do design de produto: para contas custodiais da Gate e cenários de fiat on/off ramp, se a plataforma recebe, paga fundos para usuários ou faz compensação centralizada, deve cumprir KYC, AML e Travel Rule. Para carteiras não-custodiais, em que os usuários transferem ativos diretamente, a plataforma não atua como intermediária na custódia ou transferência — por isso, a classificação regulatória é bastante diferente.
Passo 1: Mapeie o fluxo de fundos — Você está “recebendo pagamentos para usuários”, “realizando pagamentos em nome deles” ou “mantendo ativos centralmente para transferências dos usuários”?
Passo 2: Identifique atributos de custódia — Sua plataforma controla as chaves privadas dos usuários ou tem autoridade sobre os fundos?
Passo 3: Confirme os tipos de ativos — Você lida com fiduciário ou moedas virtuais conversíveis (aquelas que podem ser trocadas por fiduciário ou outros tokens)?
Passo 4: Analise taxas e papéis — Você cobra taxas por transferências? Atua como intermediário ou parte de liquidação?
Passo 5: Verifique regulamentações locais — Nos EUA, compare com os requisitos do FinCEN e licenciamento estadual; em outros países, analise os padrões relevantes de licenciamento para serviços de pagamento ou cripto.
Passo 1: Defina o escopo do negócio — Documente se seu produto é custodial, se você gerencia pagamentos de entrada/saída em nome dos usuários e quais países/usuários atende.
Passo 2: Estruture o framework de compliance — Estabeleça padrões de KYC, políticas de AML, procedimentos para reporte de transações suspeitas e períodos de retenção de registros.
Passo 3: Conclua o registro ou licenciamento — Nos EUA, registre-se junto ao FinCEN como MSB e solicite licenças estaduais de money transmitter quando necessário; em outros países, siga os processos locais de licenciamento de serviços de pagamento ou cripto.
Passo 4: Implemente a Travel Rule — Estabeleça sistemas de coleta e transmissão de informações, utilizando soluções adequadas para triagem de endereços e compartilhamento de dados.
Passo 5: Integre controles tecnológicos e de risco — Implemente triagem de listas de sanções, monitoramento de transações e avaliações de risco on-chain para garantir alertas automatizados e revisão manual.
Passo 6: Realize auditorias e treinamentos — Programe auditorias anuais e treinamentos contínuos para colaboradores, mantendo políticas eficazes e melhoria constante.
Passo 7: Comunique-se com os usuários — Informe claramente sobre possíveis exigências de documentos KYC e necessidades de informações de transferências, minimizando atritos e mal-entendidos.
Em sua essência, um money transmitter viabiliza o recebimento, envio ou transferência de fundos ou ativos virtuais em nome dos usuários. Qualquer negócio cripto que envolva custódia ou transferências intermediadas deve observar compliance com KYC, AML e Travel Rule. Nos EUA, é obrigatório o registro no FinCEN e licenciamento estadual; UE, Ásia-Pacífico e outras regiões possuem estruturas semelhantes. Equipes de produto devem avaliar impactos regulatórios desde o início do desenvolvimento e planejar compliance e integração técnica de acordo. Como a segurança dos fundos e a privacidade dos usuários estão em jogo — e as regulações evoluem rapidamente —, é fundamental consultar as orientações oficiais mais recentes ou buscar suporte jurídico especializado sempre que necessário.
Isso depende do seu modelo de negócio. Se você gerencia as chaves privadas dos usuários ou controla diretamente seus fundos para transferências, provavelmente precisará de licença de money transmitter. Se apenas fornece ferramentas de carteira onde os usuários controlam seus próprios fundos, pode não ser necessário. Sempre consulte especialistas jurídicos para orientações específicas.
Os custos variam conforme o país e o estado. Nos EUA, licenças estaduais normalmente exigem taxas de inscrição entre US$50.000–US$150.000, além de renovações anuais. O processo geralmente leva de 6 a 18 meses. A Gate recomenda planejamento orçamentário antecipado e preparação de planos de compliance e demonstrações financeiras completas.
Os riscos são elevados. Operar sem licença é ilegal — pode resultar em encerramento da plataforma, indiciamento dos fundadores, multas pesadas ou até processos criminais. Diversos casos de sanções já ocorreram nos EUA e em outros países. Garanta operações em conformidade ou solicite a licença adequada o mais rápido possível.
Os detentores da licença devem realizar auditorias de AML regularmente; verificar identidades dos clientes (KYC); monitorar atividades suspeitas; reportar aos reguladores; e manter reservas adequadas. Essas obrigações são similares às de instituições financeiras tradicionais — e são permanentes.
Interrompa imediatamente as atividades afetadas ou inicie o processo de solicitação de licença, buscando assessoria jurídica para avaliar riscos anteriores. A comunicação voluntária e as medidas corretivas podem influenciar o resultado final — quanto antes agir, menor o risco.


