
Series B Funding representa o estágio em que uma empresa avança de “viabilidade comprovada” para “expansão escalável”, com o principal objetivo de acelerar o crescimento e aumentar a eficiência operacional por meio da injeção de capital. Essa rodada geralmente ocorre após o Series A e antes do Series C. Os investidores predominantes nesse momento são fundos institucionais e capital do setor.
Nessa fase, os projetos precisam apresentar um modelo de negócios replicável, fluxo de caixa previsível e uma equipe apta a executar em diferentes regiões ou linhas de produto. Para negócios Web3, os marcos comuns incluem lançamentos estáveis de mainnet, produtos de receita consolidada e um ecossistema de usuários e desenvolvedores em crescimento sustentável.
O Series B tem como foco os “gargalos” do crescimento escalável, como expansão de mercado, contratação de talentos e atualização regulatória. O uso do capital é direcionado para crescimento mensurável e construção de barreiras competitivas.
As principais aplicações incluem: entrada em novos países e mercados regulados, fortalecimento das equipes de P&D e segurança, aumento da estabilidade da infraestrutura, avanço da comercialização (como modelos de taxas e parcerias corporativas) e desenvolvimento de sistemas de dados e gestão de riscos. Por exemplo, uma wallet blockchain com mais de um milhão de usuários após o Series A pode utilizar recursos do Series B para suporte multichain, reforço de segurança de hardware, atendimento global ao cliente e obtenção de licenças locais de conformidade.
As diferenças fundamentais entre Series B e Series A estão nos objetivos e critérios de comprovação. O Series A busca validar o product-market fit, enquanto o Series B prioriza crescimento escalável e unit economics sólidos. Já o Series C foca mais em lucratividade comprovada, operações de M&A e expansão internacional em grande escala.
A composição dos investidores também difere: fundos early-stage são comuns no Series A; no Series B, entram fundos de crescimento maiores e players do setor com termos mais padronizados; o Series C pode atrair fundos de estágio avançado e investidores estratégicos interessados em M&A ou IPO.
No Series B, a avaliação geralmente combina análise de empresas comparáveis (usando múltiplos de vendas ou lucros) com métricas de qualidade do crescimento. O “valor da empresa” costuma ser calculado como múltiplo da receita anual; a qualidade do crescimento considera velocidade, retenção e estrutura de margem bruta. Projetos Web3 também avaliam estabilidade dos dados on-chain e prêmios de risco regulatório.
Dois indicadores centrais são utilizados: valuation pré-money (valor antes do investimento) e valuation pós-money (valor após o novo aporte). Por exemplo, um valuation pré-money de US$200M somado a US$40M de novo capital resulta em valuation pós-money de US$240M; a diluição para essa rodada seria de US$40M ÷ US$240M ≈ 16,7%. Diluição refere-se à diminuição da participação dos acionistas atuais.
Em projetos cripto, o FDV—Fully Diluted Valuation—representa o valor total considerando o suprimento máximo futuro de tokens. O FDV dos tokens deve ser analisado em conjunto com o valuation de equity para evitar desalinhamento de incentivos por tokens supervalorizados ou equity subvalorizado. Segundo bases públicas, rodadas Series B em 2024 costumam variar de alguns milhões a dezenas de milhões de dólares, com investidores cada vez mais atentos à autenticidade da receita e eficiência do crescimento.
Passo 1: Definir uso do capital e marcos. Detalhar “como os recursos serão aplicados” e “quais resultados mensuráveis são esperados”, estabelecendo um roadmap de 12 a 24 meses.
Passo 2: Preparar materiais. Inclui pitch deck, painel de métricas-chave, documentos financeiros e de compliance, resumos de auditoria de código e segurança, estudos de caso de usuários/clientes e explicações sobre tokenomics/governança (quando aplicável).
Passo 3: Selecionar investidores. Elaborar uma lista com base no estágio do fundo, foco setorial e histórico de investimentos—priorizando quem oferece recursos estratégicos ou já investiu em Web3.
Passo 4: Reuniões iniciais e de acompanhamento. Usar 20–30 minutos para explicar modelo de negócios, dados e alocação dos recursos; reuniões seguintes aprofundam tecnologia, controles de risco e unit economics. Referencie dados externos verificáveis (como volumes de negociação ou retenção de usuários na Gate) para aumentar a credibilidade.
Passo 5: Negociação do term sheet. O investidor líder (que define termos e valuation) propõe elementos-chave—avaliação, valor do aporte, assentos no conselho, direitos de informação—com co-investidores participando proporcionalmente.
Passo 6: Due diligence. Inclui verificações financeiras, jurídicas, técnicas e de compliance. Projetos Web3 devem apresentar relatórios de auditoria, pareceres de conformidade e detalhes dos principais contratos.
Passo 7: Assinatura e fechamento. Formalizar acordos de investimento, transferir recursos e organizar a entrega de participação acionária ou direitos sobre tokens; definir marcos e condições de fechamento claras.
Passo 8: Comunicação externa. Planejar divulgações públicas sobre o financiamento e seus usos; manter relatórios transparentes aos investidores em base trimestral ou mensal para fortalecer governança e transparência de dados.
Para projetos Web3 em busca de Series B, investidores priorizam “qualidade e sustentabilidade”—crescimento saudável, receitas recorrentes, segurança e conformidade regulatória.
No quesito usuários e retenção: métricas como usuários ativos mensais/diários (MAU/DAU), retenção de um a três meses, estabilidade de endereços pagantes ou ativos.
Para receita: ênfase em receitas de transação ou assinatura, estabilidade da base de clientes e unit economics como LTV/CAC (lifetime value versus custo de aquisição), avaliando se são positivos.
Métricas on-chain: TVL (total value locked), número de transações, participação em gas fees, estabilidade da rede e ausência de incidentes de segurança.
Compliance: práticas de KYC/AML, situação de licenciamento local e pareceres jurídicos são fundamentais.
Ecossistema/comunidade: número de desenvolvedores, frequência de atualizações de código, parceiros do ecossistema e casos de uso corporativos. Se houver tokens, investidores também analisam volume/profundidade de negociação na Gate, distribuição em wallets e cronograma de desbloqueio para avaliar liquidez e pressão no mercado secundário.
O modelo híbrido “equity + direitos sobre tokens” é frequente no Series B. O equity representa participação societária; os direitos sobre tokens geralmente são concedidos via SAFT (Simple Agreement for Future Tokens), onde o investidor aporta recursos agora para receber tokens futuros, conforme marcos ou eventos definidos.
Para reduzir a pressão de venda, tokens costumam ter cronogramas de vesting ou liberação gradual (exemplo: vesting linear), desbloqueando ao longo do tempo. É essencial alinhar incentivos baseados em equity e tokens para evitar conflitos de interesse entre equipes e investidores.
O alinhamento de governança é igualmente importante. Caso os tokens confiram funções de governança, é preciso definir claramente os limites entre direitos de voto dos detentores de tokens e autoridade do conselho, evitando bloqueios operacionais; garantir arranjos transparentes sobre fundações, entidades operacionais e endereços de custódia—utilizando custódia independente e divulgação transparente quando necessário.
A preferência de liquidação é fundamental—define “quem recebe primeiro (e quanto) em caso de saída ou liquidação da empresa”. O modelo mais comum é a preferência não participativa 1x (investidores recuperam o principal mais o retorno acordado, mas não participam do saldo); a preferência participativa permite que investidores também recebam parte das distribuições remanescentes—resultando em maior diluição para os fundadores.
Cláusulas anti-diluição protegem investidores em rodadas futuras com valuation menor; termos muito agressivos (como full ratchets) podem afastar futuras captações. Ajustes por média ponderada com gatilhos e limites claros são considerados melhores práticas.
Assentos no conselho e direitos de veto influenciam a eficiência das decisões. Limite o veto a temas estratégicos (como novas captações, M&A ou teto orçamentário) para evitar impacto na operação diária. Direitos de informação e cláusulas de performance devem ser práticas e baseadas em dados verificáveis.
Riscos com tokens incluem desbloqueio acelerado, distribuição desigual ou FDV inflado, elevando a pressão no mercado secundário. Implemente mecanismos de monitoramento e divulgação transparentes, com vesting vinculado a marcos de longo prazo.
Riscos contratuais e de compliance também são relevantes—questões internacionais podem envolver tributos e valores mobiliários; profissionais jurídicos e auditores experientes devem supervisionar o processo para garantir segurança dos recursos e conformidade em todos os níveis.
Em mercados de alta, rodadas Series B são mais fáceis de concluir, mas apresentam risco de sobrevalorização. Mantenha disciplina nos preços—evite gastos excessivos em marketing ou FDV inflado; priorize investimentos em produto e segurança.
Em mercados de baixa, investidores valorizam eficiência e fluxo de caixa. Estratégias incluem ampliar o runway, otimizar custos, considerar bridge rounds internos ou financiamentos intermediários; instrumentos de dívida controlada podem ser opção em último caso.
Independentemente do ciclo, escalone lançamentos de tokens, upgrades de produto e períodos de desbloqueio para evitar concentração; mantenha comunicação regular e transparente; utilize dados verificáveis (como métricas de negociação ou on-chain da Gate) para embasar o discurso e reduzir riscos de oscilações de mercado.
O Series B tem como essência alavancar capital confiável para impulsionar crescimento previsível—sustentado por dados precisos e repetíveis que comprovem viabilidade do modelo de negócios e eficiência operacional. Garanta definições claras de valuations pré/pós-money e calcule corretamente a diluição; mantenha processos disciplinados para uso de recursos, due diligence e fechamento; alinhe estruturas de equity, tokens e governança em projetos Web3 com planejamento rigoroso de vesting e divulgação; evite termos excessivos de liquidação ou anti-diluição; mantenha disciplina de preços em todos os ciclos; utilize dados públicos de plataformas como a Gate para reforçar a credibilidade. Quando bem executado, o Series B é uma “escala orientada por engenharia”, não uma aposta especulativa.
Rodadas Series B geralmente variam de alguns milhões a dezenas de milhões de dólares americanos—o valor exato depende do setor, tamanho de mercado e desempenho anterior do projeto. Em relação ao Series A, o Series B é consideravelmente maior para viabilizar expansão de equipe, entrada em novos mercados e otimização do produto. Recomenda-se estimar a necessidade de recursos com base em um plano operacional de 18 a 24 meses para não captar em excesso ou insuficientemente.
Isso depende do ritmo de crescimento do projeto e das condições de mercado. Se o crescimento for acelerado e as métricas excelentes, investidores podem financiar um salto direto ao Series C; se o crescimento desacelerar ou o mercado esfriar, o projeto pode ficar estagnado no Series A. Embora o fluxo mais comum seja A→B→C, é importante manter flexibilidade conforme a dinâmica do mercado.
Se a rodada Series B não avançar, o projeto pode ampliar a base de investidores (buscando fundos do setor, parceiros estratégicos ou investidores-anjo de follow-on), buscar fusões/aquisições ou financiamentos estratégicos como alternativas. Se os dados sinalizarem potencial de crescimento, a equipe pode revisar metas e estratégias de captação para uma nova tentativa, ou apostar em lucros operacionais para avançar no desenvolvimento.
O valuation no Series B deve se basear no crescimento dos principais indicadores após o Series A (usuários, receita, atividade diária etc.), usando benchmarks do setor e o cenário de captação para definir uma faixa adequada. Prepare documentação detalhada e fundamentada em dados, destacando caminhos claros de crescimento e vantagens competitivas, e busque múltiplas propostas para aumentar o poder de negociação. Não seja inflexível quanto ao valuation a ponto de perder oportunidades de financiamento.
Além do tamanho do capital, avalie a experiência dos investidores no seu segmento—histórico com projetos similares—e a capacidade de agregar recursos estratégicos além do aporte financeiro (como networking, canais de go-to-market, expertise técnica). Escolha parceiros alinhados ao estágio e valores do projeto para melhores resultados no longo prazo. Utilize bases de dados e checagem de reputação para uma due diligence completa.


